Clínico geral, cardiologista, neurologista, otorrino de pronto-socorro, mais um otorrino. Exames de sangue, tomografia, ressonância — tudo normal. E a tontura continua, sem nome, sem tratamento, sem perspectiva.
Essa experiência é mais comum do que deveria ser — e tem uma explicação. Não é que “sua tontura não tem solução”. É que ela ainda não chegou ao especialista com as ferramentas certas para investigá-la.
Por que tantos médicos e nenhum diagnóstico

A tontura é um sintoma que pertence a muitas especialidades — e ao mesmo tempo pode não ser prioridade em nenhuma delas, se não for o foco específico do profissional.
No pronto-socorro: o objetivo é descartar emergências (AVC, arritmia). Descartar esses riscos é correto — mas não é o mesmo que investigar a causa da tontura.
No clínico geral: pode solicitar exames básicos e encaminhar. Raramente tem as ferramentas de avaliação vestibular.
No cardiologista: investiga causas cardíacas e vasculares. Se o coração está bem, descarta — mas não investiga o labirinto.
No neurologista: investiga causas centrais (AVC, tumores, esclerose múltipla). Se a ressonância é normal, frequentemente encerra a investigação.
O que todos eles não fazem: a manobra de Dix-Hallpike, o Head Impulse Test, a avaliação sistemática do sistema vestibular periférico. Essas ferramentas ficam com o otoneurologista — e é por isso que a jornada pode ser longa antes de chegar nele.
O que muda quando você chega ao especialista certo

O que muda com o otoneurologista não é “mais uma opinião” — é um tipo diferente de avaliação. Com as manobras vestibulares específicas, é possível:
- Identificar VPPB em 10 minutos de exame clínico e tratar na mesma consulta
- Diagnosticar neurite vestibular com Head Impulse Test e VENG
- Reconhecer o padrão de TPPP em paciente com exames normais e tontura crônica
- Distinguir enxaqueca vestibular de VPPB de Ménière — condições que se apresentam de forma similar
A maioria dos pacientes que chegou ao otoneurologista após anos de peregrinação recebe o diagnóstico na primeira ou segunda consulta. Não porque os outros médicos foram negligentes — mas porque a ferramenta certa finalmente foi usada.
O que trazer de toda essa jornada anterior

Toda a jornada anterior — mesmo sem ter chegado ao diagnóstico — é informação valiosa:
Os exames normais têm valor: confirmam que não há causa estrutural grave. Isso já afasta AVC, tumor e outras condições neurológicas sérias.
Os medicamentos que não funcionaram indicam quais caminhos não levaram a lugar — e isso direciona a investigação.
A evolução ao longo do tempo — o que piorou, o que melhorou, quais situações provocam mais tontura — é dado clínico essencial que o otoneurologista vai usar.
Leve tudo. Laudos, exames, lista de medicamentos e uma descrição cronológica do que foi acontecendo. Quanto mais informação, mais produtiva a consulta.
A única coisa que muda o resultado

Não é mais um exame de imagem. Não é mais uma consulta no pronto-socorro. Não é um medicamento diferente tomado às cegas.
O que muda o resultado é a avaliação clínica vestibular especializada — as manobras, o olhar treinado para o diagnóstico diferencial do sistema de equilíbrio, a experiência com condições como TPPP que raramente são reconhecidas em outros contextos.
Se você passou por vários médicos sem diagnóstico, o especialista que ainda não foi consultado é o otoneurologista.
Perguntas frequentes
E se o otoneurologista também não conseguir diagnosticar? É possível — alguns casos exigem mais de uma consulta, exames complementares ou tempo de observação. Mas a avaliação vestibular especializada é o que mais frequentemente encontra a causa onde outros não encontraram. E quando não é vestibular, o especialista sabe para onde encaminhar.
Estou cansado de consultas. Vale mais uma tentativa? Vale — mas com a estratégia certa. Não é “mais uma consulta”, é a consulta com a ferramenta certa.
Quanto tempo vai levar para melhorar após o diagnóstico? Depende da causa. VPPB: dias. Neurite em compensação: semanas a meses. TPPP: meses, com consistência. O diagnóstico correto define o prazo realista.
Anos de tontura sem diagnóstico não significam que a causa não existe. Significam que ela ainda não foi identificada com as ferramentas certas. A avaliação otoneurológica especializada é frequentemente o que fecha esse capítulo.
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Revisado por Dr. Douglas Ribeiro — CRM-SP 163.108 | RQE 67.472 Publicado em: 14/08/2026





