Muita gente chega à primeira consulta para tontura sem saber o que vai acontecer — e isso gera ansiedade desnecessária. Vai doer? Vai ser preciso fazer exames? O médico vai conseguir diagnosticar na hora? Este artigo detalha cada etapa para que você chegue preparado e aproveite melhor o tempo de consulta.
Antes de entrar no consultório: o que preparar

Chegar preparado faz a consulta muito mais produtiva:
Lista de medicamentos: todos os que usa, incluindo os sem receita e suplementos. Exames anteriores: audiometrias, VENG/VNG, imagens — mesmo que antigos. Diário de episódios: quando ocorrem, duração, o que piora e o que melhora. Histórico clínico: doenças associadas, cirurgias, histórico familiar. Vídeo de um episódio: se alguém filmou, é extremamente útil para o diagnóstico.
A etapa mais importante: a conversa clínica
A consulta começa pela anamnese — uma conversa estruturada e detalhada sobre a tontura. O médico vai perguntar:
Como é a sensação exata (giro, flutuante, apagamento)? Quanto tempo dura cada episódio? O que desencadeia? Quando começou? O que melhora e o que piora? Há outros sintomas junto?
Essas perguntas não são formais — são o instrumento diagnóstico mais importante da consulta. Quanto mais específica e detalhada for a sua descrição, mais precisa será a hipótese diagnóstica que o médico vai construir.
As manobras vestibulares: o que vai acontecer

Essa é a etapa que mais gera dúvida. As manobras vestibulares são simples e rápidas, mas podem causar tontura temporária — o que é esperado e faz parte do diagnóstico.
Romberg: você fica de pé com os pés juntos e os olhos fechados. O médico observa se há oscilação.
Marcha de Fukuda: você marcha no lugar com os olhos fechados. Desvio lateral indica o lado afetado.
Head Impulse Test: o médico move a cabeça rapidamente de um lado para o outro enquanto você fixa o olhar num ponto. Avalia o reflexo vestíbulo-ocular.
Dix-Hallpike: você senta na maca, a cabeça é virada 45° para um lado e você deita rapidamente. Pode causar tontura — é esperado. Confirma VPPB quando positivo.
Nenhuma das manobras dói. A tontura temporária que podem causar faz parte do exame e passa em menos de um minuto.
O diagnóstico: o que esperar ao final

Ao final, três cenários são possíveis:
Cenário 1 — Diagnóstico e tratamento na mesma consulta: é o caso do VPPB. O Dix-Hallpike confirma, a manobra de Epley é realizada na hora. Muitos pacientes saem sem tontura ou com tontura muito reduzida.
Cenário 2 — Hipótese diagnóstica com exames complementares: quando o quadro clínico aponta para uma causa mas precisa de confirmação. Audiometria, VENG ou ressonância podem ser solicitados.
Cenário 3 — Plano de tratamento com encaminhamento: quando a hipótese é neurite em recuperação ou TPPP, o médico prescreve reabilitação vestibular e orienta os próximos passos.
Em todos os cenários, você sai com mais clareza do que entrou — seja com diagnóstico confirmado, seja com um plano de investigação estruturado.
Perguntas frequentes
A consulta dói? Não. As manobras podem causar tontura temporária — que passa rapidamente e é parte do diagnóstico.
Vou conseguir dirigir após a consulta? Na maioria dos casos sim. Se for feita manobra de Epley, é prudente aguardar a tontura residual passar antes de dirigir.
E se o médico não conseguir diagnosticar na primeira consulta? É possível. Alguns quadros exigem exames complementares antes da conclusão diagnóstica. Um bom especialista é honesto sobre isso e apresenta o plano de investigação.
A consulta especializada para tontura é muito mais direcionada e produtiva do que uma consulta de pronto-socorro. Você sai com diagnóstico ou com um plano claro — e com a sensação de que alguém finalmente entendeu o que você está sentindo.
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Revisado por Dr. Douglas Ribeiro — CRM-SP 163.108 | RQE 67.472 Publicado em: 10/08/2026





